“Eu te disse, não disse?!” ─ Carangos e Motocas (1974)

Carangos e Motocas (1974) - Copyright Hanna-Barbera.

Wheelie era um Fusquinha vermelho do tipo bacana, honesto, corajoso e todo “certinho”. Incapaz de falar como os outros personagens, Wheelie se comunicava através de sua buzina, sons como beeps e palavras que apareciam em seu para-brisa ─ e quando aparecia a palavra “Charge!” acompanha de um toque de corneta, é porque o bicho ia pegar para o lado dos Chooper Bunch (as quatro motocicletas que não o deixavam em paz). Chooper (no Brasil, Chapa) era o líder que morria de inveja de Wheelie e queria roubar a meiga Rota Ree, a conversível namorada de Wheelie. Seus fiéis seguidores eram Revs (Avesso), um triciclo que sempre se confundia com as palavras; Hi-Riser (Risada) a maior moto e com o menor cérebro, segundo dizem; e o nosso querido Scramble (Confuso) ─ que parecia ser uma boa motoquinha… o clássico caso de quem não é uma “pessoa” ruim, mas anda com más companhias ─ aquele que sempre repetia “Eu te disse, não disse?! Eu te disse!”

Além deles, outros carros e motocicletas faziam parte do mundo de Carangos e Motocas. Entre eles, o temível Capitão de polícia (um Jeep) e seu atrapalhado assistente Fishtail, outra motocicleta, mas que não era nem um pouco respeitado pela gangue do Chapa.

Carangos e Motocas (1974) – Copyright Hanna-Barbera.

PRODUÇÃO

O primeiro episódio foi ao ar em 7 de setembro de 1974, pela NBC, enquanto a despedida aconteceu em 30 de novembro de 1974. Infelizmente tivemos apenas uma temporada com 13 episódios, divididos em 3 segmentos cada, totalizando 39 histórias divertidíssimas dessa turma. A série foi produzida por Iwao Takamoto, com produção executiva de William Hanna e Joseph Barbera. A direção ficou a cargo de Charles A. Nichols, responsável por vários outros sucessos como Scooby-Doo, Banana Splits, Dick Vigarista & Mutley, Os apuros de Penélope e outras mais de 100 produções. Os principais roteiristas foram Lars Bourne, Len Janson, Chuck Menville, Robert Ogle e Dalton Sandifer. O tema de abertura foi uma criação de Hoyt Curtin, William Hanna e Joseph Barbera.

As vozes originais eram de Frank Welker (que fazia os sons de Wheelie e dublava o Chooper); Don Messick (Scramble); Judy Strangis (Rota Ree); Paul Winchell (Revs) e Lennie Weinrib (Hi-Riser).

Antes de Wheelie, a Hanna-Barbera já havia criado o Speed Buggy em 1973, um carro que falava, tinha algumas atitudes humanas e andava com uma turma de jovens que solucionava mistérios, enquanto participavam de corridas pelo país (quase um Scooby-Doo).

Confuso, Avesso, Risada, Chapa e Wheelie. Carangos e Motocas (1974) – Copyright Hanna-Barbera.

DUBLAGEM BRASILEIRA

A dublagem clássica era muito engraçada e bem-feita. Produzida pela Hebert Richers, com os dubladores Ionei Silva (Avesso); Carlos Marques (Risada); Jorge Ramos (Chapa); Maralise (Rota Ree) e Luis Manuel (Confuso). Na década de 1990 foi feita uma nova dublagem… terrível, que mudou até mesmo os nomes de alguns personagens, o Chapa, por exemplo, ganhou o “criativo” nome de Motocão.

 

NEM TUDO SÃO BUZINAS E RISADAS

Logo depois da estreia, a patrulha da chatice (sim, eles estão por toda parte… sempre estiveram), dessa vez encabeçada por dois jornalistas ─ Jack Anderson e Les Whitten ─ resolveram condenar várias produções animadas como sendo extremamente violentas, “que podiam incentivar as crianças mais propensas a comportamentos sociais negativos”. Wheelie estava na lista dos “mais agressivos”, ao lado de Speed Buggy, Pantera Cor-de-Rosa e A turma do Pernalonga (gente, mas por quê? Só porque o Patolino perdia as estribeiras de vez em quando… e às vezes levava um tiro na cara… poxa, que bobagem!). Eu não sei vocês, mas eu nunca sai por aí atirando em patos, correndo de moto atrás de carros para tentar arrancar suas rodas… também nunca fui de jogar pianos na cabeça de ninguém.

Mas não pensem que os jornalistas estavam sozinhos nessa dura missão de encher a paciência. Alguns motociclistas não gostaram de como a série tratava as motos, colocando-as como delinquentes e que sempre tinham problemas com a polícia.

 

QUADRINHOS

Em 1975, John Byrne foi chamado para trabalhar a arte da versão quadrinizada da série, publicada pela Charlton Comics, mas desistiu antes do lançamento da segunda edição, devido a não concordar com mudanças propostas por conta de críticas negativas em relação ao primeiro número, porque vocês sabem… chatos existem e estão por toda parte, inclusive dentro de casa. Os executivos da Charlton consideram a primeira edição muito “pesada”. Com sua saída, outros ilustradores foram contratados, mas a publicação não passou de sete edições. O último número foi lançado em julho de 1976.

Wheelie and the Chopper Bunch – Charlton Comics (1975).

 

SEGUINDO A ESTRADA

Não só Carangos e Motocas, mas também Speed Buggy e Wonder Wheels (que tinha uma moto que se transformava em uma super motocicleta) são considerados por muitos críticos e pesquisadores, como os precursores de séries televisivas como a Super Máquina (Knight Rider, 1982-1986), por exemplo.

Em resumo, os chatos ficam pelo caminho, a diversão segue firme e forte.


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