Mulher Nota 1000 (Weird Science, 1985)

Anthony Michael Hall, Ilan Mitchell-Smith e Kelly Le Brock (weird Science, 1985)

Hoje, quando escuto o pessoal falar em crush, só me vem a cabeça num primeiro momento, o refrigerante Crush. E acredito que o mesmo aconteça com quem é da minha geração. No entanto, pedindo emprestado esse termo… em minha distaaaaaante juventude uma de minhas crushs famosas era a Kelly Le Brock, que fazia companhia para Lynda Carter (Mulher Maravilha), Barbara Eden (Jeannie é um gênio), JoAnna Cameron (Poderosa Isis), Lisa Bonet (que fez um dos meus filmes preferidos até hoje: Coração satânico), Maitê Proença… bem, errrr… eu era muito indeciso e a lista ficaria um pouco grande.

Revi ontem o filme Mulher nota 1000 (Weird science, 1985, John Hughes) e, claro, minha memória falha em muitos pontos, e eu nem me lembrava de algumas cenas como a dos motoqueiros na casa (uma cena importante no filme, eu sei… mas fazer o quê, tô ficando gagá). Mas em relação à Kelly LeBrock minhas memórias estavam intactas (até porque não faz muito tempo que revi também A dama de vermelho (The woman in red, 1984, Gene Wilder).

Weird science foi baseado em uma história publicada na revista Weird Science de 1951, mais precisamente na quinta edição. Made of future, de autoria de Al Feldstein teve seus direitos comprados por Joel Silver, produtor do filme.

Se você já visita o Canal Chuvisco, sabe que por aqui tem spoiler, então vamos lá…

Kelly Le Brock (Weird science, 1985) – Copyright Universal Pictures

Gary Wallace (Anthony Michael Hall) e Wyatt Donnelly (Ilan Mitchell-Smith) são dois jovens de 15 anos de idade que não são lá os mais populares da escola, muito pelo contrário. Num final de semana em que os pais de Wyatt viajam, os dois amigos assistem ao clássico Frankenstein na TV e Gary tem a ideia de criar uma mulher perfeita usando o computador de Wyatt, que a princípio não concorda muito com a maluquice do amigo, mas acaba se envolvendo no projeto. Os dois, inclusive, invadem um supercomputador do Governo para que possam obter o resultado desejado.

Usando como “fonte de informação” imagens de revistas, eles alimentam o computador com fotos de mulheres lindas (inclusive da própria Kelly), pessoas inteligentes, esportistas… enfim, uma mistura maluca que inclui até o então vocalista da banda Van Halen, David Lee Roth. Vale aqui uma observação: em uma das versões distribuídas do filme, na cena em que Lisa (Kelly Le Brock) sai do shopping, toca Pretty woman, na versão do Van Halen. Em outra edição, a música que toca de fundo é a música tema, Weird science, da banda Oingo-Boingo.

Robert Rusler, Robert Downey Jr. e Kelly Le Brock (Weird science, 1985) – Copyright Universal Pictures

Com tudo pronto, conectam eletrodos numa boneca Barbie e ligam a parafernália criada por eles. Uma espécie de tempestade eletromagnética acontece, causando vários distúrbios na vizinhança e traz à vida a estonteante Lisa (que ganha esse nome mais tarde numa conversa entre eles, a bordo de um Cadillac cor-de-rosa, enquanto seguem para um bar. John Hughes teria se inspirado no computador Apple Lisa, um dos primeiros a terem recursos gráficos e mouse).

Ilan Mitchell-Smith e Anthony Michael Hall (Weird science, 1985) – Copyright Universal Pictures

Bom, então começam as aventuras e confusões envolvendo os três personagens principais, sem falar nas três malas sem alça do filme: o desequilibrado irmão de Wyatt, Chett (Bill Paxton); e os dois maldosos metidos da turma, Ian (Robert Downey Jr., na época ainda como Robert Downey apenas) e Max (Robert Rusler em sua primeira atuação profissional).

Lisa tem poderes mágicos e concede a Gary e Wyatt (muitas vezes contra a vontade deles) desejos e bens materiais, como carros caríssimos, roupas elegantes e até carteiras de motorista falsificadas. Tudo ia bem até Lisa inventar de dar uma festa na casa de Wyatt. Além de um terrível imprevisto quando Gary e Wyatt tentam criar uma mulher para Ian e Max… eles acabam criando um míssil nuclear. Em seguida a festa é invadida por motoqueiros mutantes, que acabam de destruir o que restava (houve uma destruição quase geral quando o míssil apareceu no meio da casa). Quando as namoradas dos idiotas Ian e Max ficam em apuros nas mãos dos motoqueiros (e os dois já tinham sumido), Gary e Wyatt encontram coragem para enfrentar a gang e expulsá-los da festa. A partir daí, as meninas se apaixonam pelos dois e tudo acaba bem, com direito a uma bela ameaça de Lisa ao irmão de Wyatt, transformando-o em algo parecido com o Jaba de Star wars, fazendo-o prometer que nunca mais iria importunar o irmão e o amigo. Lisa vai embora, mas aparece na escola como nova treinadora da turma.

Anthony Michael Hall, Kelly Le Brock e Ilan Mitchell-Smith (Weird science, 1985) – Copyright Universal Pictures

 

PRODUÇÃO E CURIOSIDADES

Escrito e dirigido por John Hughes, o filme foi um sucesso de bilheteria, mas é considerado até hoje pela crítica especializada como um dos filmes mais fracos do diretor (há controvérsias… críticos… pff). A produção ficou com Joel Silver e Jane Vickerilla, pela Universal Pictures.

Dentre os motoqueiros mutantes, temos a participação de Michael Berryman, de Quadrilha de sádicos (The hills have eyes, 1977, Wes Craven) e Vernon Wells (Mad Max 2: a caçada continua (Mad Max 2, 1981, George Miller). Vernon faz o personagem Lord General, mas é nítida a inspiração em seu personagem de Mad Max, Wez. A roupa e maquiagem praticamente iguais, e o corte moicano, além dos berros insanos e olhos arregalados.

Michael Berryman (no canto esquerdo), Vernon Wells (em destaque), Suzanne Snyder e Judie Aronson (no canto direito) em (Weird science, 1985) – Copyright Universal Pictures

Wallace Langham, faz uma pequena participação no filme. Wallace ficou mais conhecido como o técnico de laboratório David Hodges, da série CSI (aka CSI Las Vegas, 2000-2015).

Anthony Michael Hall iria participar de Férias Frustradas II (National Lampoon’s european vacation, 1985, Amy Heckerling), mas abriu mão de dar continuidade ao seu personagem e foi substituído por Jason Lively. Seu personagem, Gary, em determinado momento diz que tem uma namorada no Canadá. No filme Clube dos cinco (The breakfast club, 1985, John Hughes), seu personagem, Brian Johnson, também cita uma namorada imaginária no Canadá.

Segundo Kelly Le Brock, em entrevista dada em uma edição da Comic Con, o ator Ilan Mitchel-Smith, que na época das filmagens tinha apenas 14 anos, se empolgou durante a cena em que Lisa e Wyatt se beijam, e beijou de língua a atriz. Ela teria lhe dito no final da cena: “Se você fizer isso de novo, eu chuto a sua bunda!”

A cena da escola, em panorâmica, foi aproveitada do filme Gatinhas e gatões (Sixteen candles, 1984, John Hughes). Aliás, a escola tem o mesmo nome da escola de Clube dos cinco: Shermer High School.

Demi Moore fez o teste para Lisa, assim como Robin Wright. Kelly Le Brock inicialmente havia recusado o papel, pois estava de férias na França. Ainda bem que ela pensou melhor.

 

DUBLAGEM

No Brasil, a dublagem ficou com a BKS, nas vozes de Eduardo Camarão (Gary), Arlete Montenegro (Lisa), Wendel Bezerra (Wyatt), Flávio Dias (Chet), Orlando Viggiani (Ian), Valter Santos (Lord General), Denise Simonetto (Deb), Cecília Lemes (Hilly).

 

A SÉRIE DE TELEVISÃO

Em 5 de março de 1994, estreou a série Weird science, criação de Alan Cross e Tom Spezialy, sem o envolvimento de John Hughes. A série foi ao ar até 25 de julho de 1998, totalizando 88 episódios. A produção ficou a cargo da Universal Studios em associação com St. Clare Entertainment.

A premissa era a mesma do filme. Lisa (Vanessa Angel) é criada por Gary (John Asher) e Wyatt (Michael Manasseri). Assim como no filme, Lisa tem poderes mágicos. Chett, o irmão mala de Wyatt é vivido por Lee Tergesen. Quando Gary tenta convencer Wyatt a criar uma mulher, ele cita que era possível, pois ele tinha visto em um filme de John Hughes.

Enquanto no filme o pai de Gary (Britt Leach) era encanador, na série o personagem, interpretado por Jeff Doucette, é mecânico e motorista de reboque. O curioso é que na série, a mãe de Gary é interpretada pela mãe de John Asher na vida real, a atriz Joyce Bulifant.

A Lisa da série tem algumas diferenças em relação à Lisa do filme, além das características físicas. Embora ela se materialize e ande no meio de todos, se o computador estiver desligado, ela desaparece. Além disso, sua relação com os meninos é mais fraternal, sem um envolvimento mais sexualizado.

A música tema da série é a mesma do filme, Weird science, da banda Oingo-Boingo.

John Ash, Vanessa Angel e Michael Manasseri (Weird science, 1994-1998) – Copyright Universal Pictures

 

REMAKE?

Desde 2013, a Universal Studios vem falando em um remake, mas até o momento nada de concreto foi divulgado. Deixa quieto, né? Pra quê?


Fontes: Imdb (https://www.imdb.com/); Dublanet (http://dublanet.com.br/); AFI (https://catalog.afi.com/)


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