O Homem que Matou o Facínora (1962)

Lee Marvin, John Wayne e James Stewart em O homem que matou o facínora (1962) - Copyright Paramount Pictures.

Quando o senador Ransom Stoddard (James Stewart) volta para Shinbone, para o funeral de Tom Doniphon (John Wayne), chama a atenção de Maxwell Scott (Carleton Young), um editor de jornal local, que não compreende porque um senador sairia de Washington para acompanhar o funeral de um simples fazendeiro, e exige que ele lhe dê uma história para seus leitores. O senador então se senta com os jornalistas e começa a contar a sua história que teria começado há 25 anos, quando ele chegou por aquelas bandas.

Quando a diligência se aproximava da cidade, foi assaltada por um dos homens mais temidos da região, Liberty Valance (Lee Marvin). Ransom tenta defender uma das passageiras da diligência, da truculência de Valance e acaba sendo surrado, quase até a morte, principalmente depois que Valance descobre que ele não tinha muita coisa a mais que um relógio, uns trocados e vários livros de Direito. Ele só não mata Ransom porque os seus comparsas o impedem. Um desses comparsas, Resse, foi interpretado por Lee Van Cleef, que já vinha de uma carreira com dezenas de participações em westerns desde 1952. O outro comparsa era Floyd (Strother Martin, outro ator com centenas de participações no cinema western).

Lee Van Cleef, Lee Marvin e Strother Martin em O homem que matou o facínora (1962) – Copyright Paramount Pictures.

Tom Doniphon e Pompey (Woody Strode) resgataram Ransom Stoddard quando estavam a caminho da cidade, e o levaram até o restaurante onde trabalhava Hallie (Vera Miles), que com a ajuda de seus patrões, cuidam de Stoddard. O homem-da-lei na cidade, Link Appleyard (Andy Devine) não é exatamente o que podemos chamar de um homem corajoso, e tudo fica como se nada tivesse acontecido. Por não ter mais dinheiro e também por gratidão, Stoddard aceita trabalhar na cozinha do restaurante. Depois de enfrentar mais uma vez Valance, enquanto servia comida no salão, Stoddard ganha a admiração do então editor jornal, Dutton Peabody (Edmond O’Brien), que o convida para usar as dependências do jornal para advogar para a população. Ransom faz mais… começa a dar aulas para aqueles que não sabiam ler.

Woody Strode e John Wayne em O homem que matou o facínora (1962) – Copyright Paramount Pictures.

O problema é que Valance continuava aprontando na cidade e passara a trabalhar para os pecuaristas que eram contra a criação de um estado naquela região, preferindo que não houvesse limites entre as terras, para que assim pudessem controlar tudo à sua maneira. Valance ficou incumbido de conseguir uma vaga como representante da região em uma comissão que indicaria um representante da população em Washington, mas Ransom e Peabody são indicados depois que Doniphon recusa a proposta. Doniphon queria se casar com Hallie e estava construindo um novo cômodo em sua fazenda para a futura esposa. No entanto, Hallie se apaixonou por Stoddard.

Valance, durante a votação dos representantes, jurou de morte Ransom, caso ele não deixasse a cidade. Mais tarde, Valence destruiu o jornal da cidade, quase matando Peabody. Stoddard resolveu não fugir e desafiou Valence, mas Ransom não era um homem das armas e, mesmo treinando secretamente durante algumas semanas, mal conseguia desengatilhar o revólver. No confronto, Valance brincou com Ransom atirando perto da sua cabeça… depois o acertou no braço para derrubar a sua arma. Quando cansou da brincadeira, mirou na cabeça de Ransom, mas foi surpreendido, levando um tiro e caindo morto.

Vera Miles e James Stewart em O homem que matou o facínora (1962) – Copyright Paramount Pictures.

Ransom ganhou ainda mais a simpatia dos moradores e foi escolhido pela comissão para ser o representante da região em Washington, mas quase desistiu quando um dos interlocutores do principal concorrente o acusou de assassinato de um “bom homem”, sob a revolta dos presentes. Quem o convenceu a aceitar foi Doniphon, que mesmo decepcionado pelo fato de Hallie gostar de Ransom (e de ter, inclusive, queimado a própria casa num acesso de raiva e ciúmes), sabia que o melhor para todos era que Doniphon lutasse por eles na capital. O argumento que ele usou para convencê-lo?… É um spoiler dos brabos… lá vai: Doniphon contou a Ransom que o tiro que matou Valence não saiu da arma dele, e sim da espingarda de Pompey, que emprestou para Doniphon quando este viu que Ransom não teria chances contra Valence. Com a consciência mais tranquila, Ransom seguiu seu destino e conseguiu criar o estado, tornando-se o primeiro governador, e depois senador por vários anos.

O filme retorna ao presente… o jornalista, comovido com a história, rasga todas as anotações e diz que a lenda não deveria ser desfeita.

Algumas críticas (e “críticos” de hoje) acham o final óbvio, mas a questão, na minha opinião, não era tentar convencer o público que Ransom era o matador, e sim usar esse argumento para contar toda a história.

 

PRODUÇÃO

O Homem que matou o facínora (The man who shot Liberty Valance, 1962) foi baseado em um conto de Dorothy M. Johnson, de 1953. Dirigido por John Ford, produzido por Willis Goldbeck e John Ford para a Paramount Pictures. O roteiro ficou a cargo de James Warner Bellah e Willis Goldbeck.

Embora já tivéssemos filmes em cores nesse período, John Ford optou por filmar em preto e branco. Segundo ele, “Em preto e branco, é preciso ter muito cuidado. Você precisa conhecer o seu trabalho, colocar as sombras adequadamente, acertar a perspectiva.”; e ainda “Você pode dizer que sou antiquado, mas preto e branco é fotografia real”.

Lee Marvin fez um vilão daqueles que a gente sente tanta raiva e revolta, que se surpreende com os punhos cerrados em alguns momentos.

Se você não viu o filme, ainda que tenha visto os spoilers do artigo, vale muito a pena assistir.


Fontes: How the west was sung: music in the westerns of John Ford, de Fonte: K. Kalinak, University of California Press; IMDb.


 

SUGESTÃO

DVD O Homem que Matou o Facínora

Equiparado a No Tempo das Diligências como um dos maiores do gênero, este filme é um faroeste moderno que se sobrepõe a todos os clássicos. John Ford, cujo próprio nome é sinônimo do gênero, dirigiu o elenco perfeito. Jimmy Stewart interpreta o desajeitado mas charmoso advogado da cidade grande, decidido a livrar o vilarejo de Shinbone de seu encrenqueiro e mau caráter número um: Liberty Valance (Lee Marvin). E como se não bastasse, o maior astro que já apertou um gatilho interpreta o herói do título: John Wayne. O honesto Stewart e o rústico rancheiro Wayne também dividem a mesma paixão (Vera Miles). Um pega o pistoleiro e o outro pega a garota.

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