The Cook (1918)

Roscoe 'Fatty' Arbuckle, Luke e Buster Keaton

Fatty (Roscoe ‘Fatty’ Arbuckle) é o chefe de cozinha em um restaurante, supostamente elegante, chamado “Bull Pup”. Certo dia, com o movimento a todo vapor (não resisti ao trocadilho), entre idas e vindas do garçom (Buster Keaton) na cozinha para pegar os pedidos dos clientes, vemos cenas de malabarismo com pratos e comidas, métodos nada tradicionais de se cozinhar e, claro as caras muito engraçadas de Keaton e Fatty, que além do tradicional “pastelão”, utilizavam muito bem suas expressões para nos fazerem rir. Destaque  para o grande recipiente que há na cozinha, de onde Fatty tira os mais diversos tipos de pratos, de sopa até purê e outras especialidades da casa, tudo saindo do mesmo lugar. Aliás, ele tira suas roupas lá de dentro mais para frente, quando vai entrar de folga.

The Cook (1918) – Paramount Pictures.

Em determinado momento, Keaton começa a dançar centro do restaurante, acompanhando a dançarina do show. Na sequência ele entra na cozinha dançando e Fatty se empolga e começa uma engraçada dança, prestando uma homenagem à Theda Bara (1855-1955). E aqui faço uma observação…

 

SALOMÉ OU CLEÓPATRA?

Alguns sites gringos, inclusive de fãs de Fatty e Keaton, citam que esta cena seria uma paródia da cena de dança de Theda Bara no filme Salomé (1918, J. Gordon Edwards). No entanto, se analisarmos as cenas de dança do Fatty, vemos mais semelhanças com o filme Cleópatra (1917, J. Gordon Edwars) também estrelado por Theda. O figurino de Cleópatra durante a cena de dança parece muito mais ter sido a fonte de inspiração de Fatty. Ele usa panelas e utensílios para simular desde a tanga até os brincos de Theda. Além disso, ele usa um adereço improvisado na cabeça, que remete ao adereço usado por Cleópatra, com a serpente na ponta. Aliás, Fatty brinca com um amarrado de linguiças como se fosse uma serpente. Outro ponto é que The Cook foi lançado em setembro de 1918, enquanto Salomé consta em fontes diferentes com as datas de outubro de 1918 e agosto de 1918. Ainda que a data de agosto seja a certa, pela complexidade do filme The Cook, com cenas externas e todo o malabarismo feito na cozinha, sua produção deve ter sido um pouco mais elaborada, não dando tempo de fazer uma cena relativamente longa homenageando um filme que teria estreado dias antes. Não quero aqui afirmar nada, nem ir contra o que vários fãs dizem, certamente baseados em pesquisas feitas em arquivos de cinema, mas deixo aqui minha dúvida… ainda acho que se parece mais com Cleópatra.

Da esquerda para direita: Theda Bara em Salomé (1918), Arbuckle em The Cook (1918), Theda Bara em Cleópatra (1917)

VOLTANDO AO FILME… e sim, tem spoiler

Depois de muita confusão, quebrando pratos e copos, para o desespero do gerente do restaurante (Glen Cavender), Fatty é aplaudido pelos clientes, que acham que sua performance fazia parte do show da casa. Mas quando tudo parecia que ia acabar bem, um valentão (Al St. John) entra no restaurante e força a garçonete (Alice Lake) a dançar com ele. Ninguém consegue dar conta do vagabundo, exceto Luke, o cachorro de Fatty, que põe o homem para correr (literalmente).

E a confusão não para… Mais tarde, quando o movimento do restaurante cessa, Fatty e Keaton se juntam ao gerente e a outro garçom para comerem espaguete. Seguem cenas inusitadas demonstrando várias formas de se comer o macarrão, até mesmo na xícara, como se estivesse tomando um chá.

The Cook (1918) – Paramount Pictures

Já de folga do restaurante, Fatty sai para pescar com seu cachorro Luke, enquanto Keaton leva Alice para um encontro no parque de diversões. No caminho, Fatty arruma bastante confusão com sua vara de pescar, e sua charrete puxada por um bode, derrubando algumas pessoas.

Por um momento, Alice se separa de Keaton e o valentão que estava no restaurante aparece e começa a persegui-la. E tome mais confusão… Volta Luke a perseguir o homem, Alice cai na água e Fatty e Keaton não se entendem ao tentar ajudá-la.

 

PRODUÇÃO

Lançado em 15 de setembro de 1918 nos Estados Unidos, o filme (com cerca de 22 minutos de duração) foi produzido pela Comique Film Company com distribuição da Paramount Pictures. A Comique Film Company (ou Comique Film Corporation) foi fundada em 1916 por Joseph M. Schenck para produzir as comédias de Fatty, mais tarde produzindo também alguns filmes de Buster Keaton. A direção e roteiro foram assinados pelo próprio Arbukle, que em sua carreira dirigiu mais de 130 curtas. Filmado por George Peters, com edição a cargo de Herbert Warren.

The Cook (1918) – Comique Film Company; Paramount Pictures

QUASE PERDIDO

O filme foi dado como perdido por décadas, até que em 1999, foi encontrada uma cópia no sótão de um hospital da Noruega, junto com uma coleção de outros filmes da época. Acredita-se que o diretor do hospital utilizava os filmes de comédia para acalmar os pacientes com problemas mentais.

Em 1998 havia sido encontrado também um trecho do filme, que mais tarde, em 2002, foi combinada com outro trecho encontrado no Eye Film Institute, na Holanda. Embora recuperado, foi detectada a ausência de algumas cenas.


Fontes: Silent Era (https://www.silentera.com/); IMDb (https://www.imdb.com/); Buster Keaton (http://www.busterkeaton.org/).


SUGESTÕES

Buster Keaton [Digipak com 8 DVD’s]

Preto e branco; 12 filmes, 32 curtas-metragens e 3 horas de extras, contendo depoimentos de orson welles, gloria swanson e pequenos documentários. Filmes mudos com intertítulos em inglês e legendas em português e trilha sonora especial para cada título. Clique aqui para comprar!


 

 

 

Buster Keaton: The Persistence of Comedy (Inglês) Capa Comum

Clique aqui para comprar!

Buster Keaton is remembered today as one of the most innovative and hilarious comedians of the silent movie era, considered now to be the equal to Charlie Chaplin and Harold Lloyd. Starting his career as a child in vaudeville with his parents in a violent, knockabout comedy act known as The Three Keatons, Buster – so called because he could take a fall without getting hurt – was a seasoned stage professional by the time of his film debut with Roscoe “Fatty” Arbuckle in 1917 at only 21 years old. Keaton’s soaring success in motion pictures lasted 15 years until a devastating crash brought on by personal troubles, alcoholism and the advent of sound pictures. By 1932, Buster had become nearly unemployable. The true story of how he bounced back to become an icon in film history is the beautifully written and thoroughly researched tale lovingly crafted in Buster Keaton: The Persistence of Comedy by film analyst and writer, Imogen Sara Smith.



QUER AJUDAR O CANAL CHUVISCO?

Comprando qualquer produto com esse link, você está ajudando o CANAL CHUVISCO a se manter. Com as comissões recebidas, podemos dedicar mais tempo para as pesquisas e postagens. É só clicar, fazer sua busca pelo produto que deseja e realizar sua compra normalmente.


Compartilhe o artigo com seus amigos!
Compartilhe o artigo com seus amigos!